quarta-feira, 30 de abril de 2008

PONTO DE VISTA

O último post do mês é sobre " Ponto de Vista" ( vantage point) , uma produção que ainda está nos cinemas do Rio e vale a pena ser vista, é claro, principalmente se voce gosta de um bom filme d e ação, pois é isto que o filme é. Não é meu estilo preferido, mas quando é bom não há como não gostar, do tipo "Velocidade Máxima". Trata-se da filmagem de um evento (tentativa de assassinato do presidente dos EUA) visto por diferentes angulos e com um acabamento primoroso, após uma perseguição automobilistica vertiginosa, que beira as vezes o inverossímil, mas só um pouco. Não é um filme de ator, embora o Denis Quaid, o William Hurt e o Forrest Whitaker trabalhem direitinho, sem nenhum brilho excedente, mas é um filme de diretor, de alguém que trabalhou uma concepção muito bem, e produziu um filme que distrai e tem qualidade. Ouvi uma crítica de alguém que esperava algo mais em termos de conteúdo, mas não acho que este fosse o propósito do filme, nem mesmo produzir alguma discussão sobre as perspectivas diferentes, pois elas não são diferentes, mas produzem um excelente filme de ação, com um soberbo trabalho de câmara ( direção de filmagem). O diretor é Pete Travis, que veio da TV americana e o roteirista Barry Levy, idem.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

OS SONHADORES/1968


Acabou-se o feriadão de São Jorge e Tiradentes e o último Homenageado é Bernardo Bertolucci com o seu " Os sonhadores" (The Dreamers) uma produção Ítalo-Franco- britânica de 2003, que revi. Gostei mais da primeira vez quando vi no cinema. O filme se encaixa perfeitamente na revisão dos quarenta anos de 1968, o ano que não terminou, no dizer do Zuenir Ventura. O debate sobre 68, tirando um artigo do Gaspari e algumas respostas, e um caderno do Globo, não vem acontecendo ainda, mas nada melhor que o personagem Mathew cobrando de Theo:" Se você acreditasse mesmo nisto, estaria lá fora e não aqui comigo, discutindo cinema, tomando vinhos caros e falando em Maoísmo". O filme é bom e trata do relacionamento entre dois irmãos e um amigo nos dias de 1968 em Paris onde discute-se muito cinema, música, relacionamentos entre pais e filhos, a sociedade. Enquanto isto lá fora....De repente Isabella alerta: " A rua invadiu o quarto"..."Para as ruas"...E irrompe a violência, para alguns pequeno-burguesa e despropositada. O filme é repleto de citações cinematográficas e tem uma trilha musical soberba. Se não servisse para mais nada, o filme trouxe ao mundo a sensacional Eva Green. Valeu !

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O HOMEM DE FERRO

Estréia prevista para breve, muito breve,“ O Homem de Ferro”, vem na linha da transposição para o cinema dos heróis e personagens dos Quadrinhos. Em termos de cinema, esta transposição não tem sido bem feita, com filmes fracos, que não disfarçam o interesse meramente comercial. A presença de Robert Downey Junior, como Richard Stark pode ser um alento, pois o ator é conhecido por remar contra a corrente ( as vezes até demais) mas porém contudo todavia, vale a pena dar uma olhada, para quem brincou com os heróis Marvel.

terça-feira, 22 de abril de 2008

ROCCO E SESU IRMÃOS/VISCONTI

Revi ontem, um dos clássicos do Neo-Realismo Italiano, "Rocco e seus irmãos", uma produção ítalo-francesa de 1960, dirigida pelo genial Luchino Visconti ( 1906-1976). Ao contrário dos filmes neo-realistas da primeira fase, imediatamente pós-guerras, este exemplar explora mais as características psico-sociais e o resultado é fascinante. É um filme denso, longo (180 minutos) e em Preto e Branco, que trata da migração de uma família numerosa, do sul da Itália para Milão.
A chegada da mãe e de mais quatro irmãos interrompe a festa e o noivado do quinto irmão Vicenzo, que rompe com a família da noiva para ficar com a mãe e os irmãos, e depois é "salvo" por um acidente ( a gravidez da noiva) que o leva a se afastar da "família". Está tudo lá no filme, o machismo, o matriarcado, uma idéia mafiosa de família, uma ética social duvidosa, que leva Rocco a abdicar de seu amor pela prostituta Nádia ( e aqui aparece a dicotomia mãe x prostituta - tem uma cena primorosa quando elas estão morando juntas) em prol do amor do irmão mais velho e depois sublimar seu ódio no boxe. Simone e Ciro são um contraponto, um avesso ao trabalho, desde as primeiras cenas, jogador, fumante e o segundo trabalhador, arruma logo um emprego na Alfa Romeo, e é tão certinho que é o único a recriminar e até mesmo denunciar o irmão, rompendo com a ética familiar, por ter matado Nádia. Há um sem número de questões, inclusive o homossexualismo, o filme é fantásticamente filmado e dirigido, há crítica social, e não deixa de ser fascinante o esforço do Alain Delon em superar as limitações físicas de um papel que não parece feito para ele e o bom desempenho da Annie Girardot que vive a Nádia. Há também a Claudia Cardinale em um papel pequeno ( ela esteve completando recentemente 70 anos de idade e como era bela). Um grande filme !

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O PASSADO



A sinopse do filme e a presença do Gael Garcia Bernal enganam. Trata-se de uma produção de 2007 do argentino-brasileiro Hector Babenco, mas apesar de tudo, não é um bom filme. O tema é incômodo para alguns ( como eu) ou seja separação, amor e passado, mas o filme é ruim mesmo, as cenas são longas e demoradas, o tem é apresentado com muita pretensão, repleta de "figuras simbólicas e incompreensíveis" pela maioria dos mortais e por outro lado por clichês simplistas e maniquesístas do tipo " cheirar cocaína em cima do vidro do retrato da ex-mulher. O que salva um pouco o filme é mesmo o desempenho do ator, que depois do seu surgimento em "Amores Brutos" tem dado mostras de ser um dos bons, mas nem ele consegue escapar de alguns estereótipos no processo de decadência. O filme tem problemas na edição ( deve ser o lado brasileiro) na parte do sequestro do filho e uma participação especial ( ainda bem que curta) e caricata do saudoso Paulo Autran. Infelizmente, é ruim !

domingo, 20 de abril de 2008

DOIS TOQUES

1) Programação do cineclube da Escola de Cinema Darcy Ribeiro - sessões aos sábados , ás 18:0 horas. rua da Alfandega 5- esquina com primeiro de março:

03/05 - O Testamento de Orfeu (Jean Cocteau)
10/05 - O Estado das Coisas (Wim Wenders)
17/05 - O Jogador (Robert Altman)
31/05 - Estrela Nua (Icaro Martins)


JUNHO
07/06 - Além das Nuvens (Michelangelo Antonioni)
14/06 - O Último Magnata (Elia Kazan)
21/06 - Ed Wood (Tim Burton)
28/06 - Bom Dia Babilônia (Irmão Taviani)

JULHO
05/07 – Dirigindo no Escuro (Woody Allen)
12/07 - Ladrões de Cinema (Fernando Cony Campos)
19/07 - Exibição dos filmes dos alunos da ECDR

Entrada franca

2) de 22 a 27 de abril - CENTRO CULTURAL DA CAIXA - filmes com temática africana e brasileira, Mostra " Espelho Atlantico", sempre às 19:00 horas. Um curta e um longa, por R$4,00 a inteira e R$ 2,00 a meia.

PROGRAMAÇÃO PREVISTA

Dia 22

Dia 23

Dia 24

Dia 25

Dia 26

Dia 27

O Clandestino

Dir: Jose Laplaine

1997

15 min.

Zaire/Angola

Livre

Mama Put

Dir.: Seke Somolu

2006

30 min

Nigéria

12 anos

Menged

Dir: Daniel Taye Workou

2006

20min

Etiópia

Livre

Balé de pé no chão

Dir: Lilian Solá Santiago

2008

17 min

Brasil

Livre

Maria sem graça

Dir: Leandro Goddinho

2007

12 min

Brasil

Livre

The Ball

Orlando Mesquista

2001

5 min

Moçambique

Livre

Kuxa Kanema - O nascimento do cinema

Dir: Margarida Cardoso

2003

53 min

Bélgica/ França/ Portugal

Livre

A Cidade das Mulheres

Dir: Lázaro Faria

2005

72 min

Brasil

Livre

Mortu Nega

Dir: Flora Gomes,

1987,

85min

Guiné-Bissau.

12 anos

Na Cidade Vazia

Dir: Maria João Ganga

2005

88min

Angola

Livre

Família Alcântara

Dir.: Lílian e Daniel Solá Santiago, 2006

52min

Brasil

Livre

O Herói

Dir: Zezé Gamboa

2004

97 min

Angola

Livre


Veja a sinopse no site da Caixa Cultural.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

'SALOMÉ E SAURA"

Assisti ontem à noite, "Salomé" filme de 2002 de Carlos Saura.
Trata-se de um bom filme, e que como quase toda a filmografia do estupendo diretor espanhol, é um misto de " making of" e espetáculo de dança. Pessoalmente sou vidrado em contar estórias através da dança e Saura é um dos mestres nesta arte, que já mencionei no blog no "post" sobre "West Side Story". A dança flamenca dançada pelos espanhóis já é uma coisa fantástica por si só. Além de Salomé, já vi e revi várias vezes " Carmem", "Bodas de Sangue" e "Amor Bruxo", que compõe o que muitos chamam de trilogia flamenca, do diretor. Há outro filme muito bom, que se chama Ibéria, e que através da música e da dança, faz um retrato cultural emocionante. Resta ainda assistir " Tango" e o mais recente " Fados", porém confesso que tenho certo medo de assistir pela presença do Toni Garrido ( mas acho que é só como cantor, menos mau). Uma das coisas mais interessantes nos filmes de Saura é sua demonstração do processo de construção dos espetáculos, do quão árduo e suorento é colocar a emoção a serviço da expressividade, e como a técnica, apesar de soberba, necessita muito da disciplina e da transpiração. "Carmem" é meu favorito, por causa do Antonio Gades, bailarino e coreografo soberbo, que infelizmente faleceu, mas todos os filmes são fantásticos e tem momentos e bailarinos emocionantes. Vou tentar colocar no post o vídeo do bailado da Aida Gomez na cena em que Salomé dança para Herodes, mas se eu não conseguir por imperícia junto ao blog, vá ver no You Tube http://www.youtube.com/watch?v=LJsNW68RCjg Valeu !

domingo, 13 de abril de 2008

"65 anos de cinema"

Atenção para www.65 anosdecinema.pro.br indicação de minha amiga Leila, que a primeira vista parece ser algo muito completo em termo de informações cinematográficas. Já é um dos favoritos tanto na lista pessoal, como no blog.

Quem censura o censor? (Dê sua opinião, por favor)

Esta é a livre-tradução de uma notícia tirada do blog cinematical
{{A batalha das censuras se enfurece no Canadá
E a Batalha continua. No início de Março, eu postei sobre como o Governo canadense está tentando aumentar as restrições em quais filmes recebem "Taxas de crédito" (alguma espécie de incentivo governamental) -- tudo para não dar dinheiro para aqueles filmes "Mais baixos entre os baixos" -- sabe, aqueles com "violência gratuita, conteúdo sexual significante que não tenha finalidade educacional, ou denegrindo um grupo identificável". Sob estes termos, significaria qualquer filme de ação ou suspense, a maioria dos filmes que discutem sexo, e qualquer comédia que divirta bem, qualquer pessoa.
Agora aqueles de dentro da indústria (do cinema) estão contra-atacando. O CBC informa que Sarah Polley, a atriz e cineasta por trás do nomeado ao Oscar "Away From Her" (Em português "Longe Dela"), e outros na indústria desceram a Ottawa para ter sua voz. Polley diz: "É o trabalho dos artistas que provoca e desafia. Parte da responsabilidade de ser um artista é criar trabalho que inspirará diálogo, sugerir que pessoas examinem suas posições estabelecidas e, sim, ocasionalmente ofender para conseguir fazer isso." Enquanto isso, o Partido Conservador do Canadá emitiu um comunidado à imprensa supostamente atacando os laços políticos de Polley e estabelecendo que os artistas não deveriam dizer aos "canadenses que trabalham duro" como o dinheiro dos impostos deve ser gasto.
Oh, as intermináveis e irresolvidas guerras sobre taxação e censura. Não vamos aprender nunca?}}

Nem vou emitir minha opinião agora. Primeiro a sua. O que você acha disso tudo? Comente, por favor.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

'AGONIA E EXTASE/NUNCA AOS DOMINGOS"

Ainda pautado pelo obituário, seguem-se duas mortes importantes para o cinema: Na virada do mês foi-se o diretor Jules Dassin, norte-americano, nascido em 1911, que ficou conhecido através de uma série de “filmes-noir” nas décadas de 40 e 50 e depois perseguido pelo “macartismo anti-comunista” nos EUA, emigrou para a Europa onde fez o bom filme “ NUNCA AOS DOMINGOS” de 1960, que tentei rever por estes dias mas não consegui acha-lo. No filme, o próprio diretor faz o papel de um americano quê se defronta em um porto grego com a interessante prostituta grega Ilya ( vivida pela grande atriz grega Melina Mercouri, esposa de Dassin). O filme revelou ainda uma canção sucesso, ganhadora de Oscar e vale a pena ser visto. Outra morte de grande ator, ontem, trata-se de Charlton Heston, um rosto que ficará sempre marcado como Ben-Hur, e também pelos planetas dos macacos, mas que também demonstrou muita coragem em expor sua posição reacionária, no documentário Tiros em Columbine. O ator fez muitos filmes bons, mas sua fisionomia dura parecia indicá-lo para personagens clássicos e épicos ( bem diferente de um Collin Farrell em Alexandre, por exemplo). Escolhi rever para esta postagem, AGONIA E EXTASE, um filme de 1965, dirigido por Carol Reed, no qual Charlton Heston vive o pintor Michelangelo e trava um certo embate psicoestético com o papa Julio II vivido por Rex Harrison. O filme é meio que uma aula de história da arte, meio discussão sobre a vaidade e outros sentimentos humanos, mas tem deficiências no roteiro ( meio mecanicista) sendo que vale muito pela tentativa do ator em tirar uma interpretação mais calcada no sentimento, produzindo um contraste interessante com a sua fisionomia que muitos da crítica consideram granítico. Tirar da pedra bruta uma forma leve, não deixa de ser escultura – escultura cinematográfica.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

"ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA"

Está previsto para ser lançado no segundo semestre de 2008, um filme que promete ser uma das sensações da indústria cinematográfica: O título em inglês é Blindness e o filme uma adaptação do romance do prêmio Nobel português, José Saramago. O diretor, o nosso brasileiro Fernando Meirelles, definitivamente incorporado ao mercado cionematográfico mundial de ponta. O roteiro, de Don Mckellar, e o elenco com estrelas tipo Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal, Danny Glover e a nossa Alice Braga. O filme deve ser mesmo um sucesso, pois é apoiado em um grande romance, cuja estória é mais ou menos a seguinte: espalha-se uma misteriosa doença, uma cegueira entre a população e apenas a esposa de um médico, dos primeiros que tem contato com a doença, consegue enxergar. Os doentes são confinados para evitar o contágio e por aí vai. Confesso que tive a maior dificuldade para ler o livro até o final, de tão bom que ele é, provoca mal estar. A principal dificuldade que os produtores e diretores estão tendo é retirar do filme este clima barra pesada, mas este é um objetivo fácil para a indústria hoje. O Fernando Meirelles ( Cidade de Deus, Domésticas ) já mostrou que é competente prá caramba e outro risco para o filme é ficar no multiculturalismo da nova globalização cinematográfica, da qual o Jardineiro Fiel não escapou. Outro grande lance é a trilha sonora, que parece vai ficar na criativa sonoridade do grupo brasileiro-mineiro Uakti. Quem enxerga um pouco já antevê um sucessão ! Tomara !

domingo, 30 de março de 2008

'DOC"


Como última postagem de março ( estamos mantendo a média de 13 por mês) fica um misto de crítica e indicação, que aliás parece ser a marca que o blog está assumindo por enquanto. Ontem, assisti ao documentário " Moacir - arte bruta " produção de 2005 dirigida pelo Walter Carvalho, que é um gênio brasileiro da fotografia cinematográfica, responsável entre outros tantos por Lavoura Arcaica. O tema do documentário é sobre o Moacir, um artista plástico do interior de Goiás sem nenhuma instrução formal e sua relação subjetiva com a arte e com a comunidade local. Não é um dos melhores documentários que já vi e o Brasil é um dos melhores nesta área, mas um documentário quase sempre vale a pena ser visto, quando muito pela informação que te traz. Normalmente os preços das exibições são ótimos, quando não são de graça, como este que vi, no Centro Cultural da Caixa. Aproveitando a deixa criada, começa no Rio o festival " Tudo é verdade", uma idéia do crítico Amir Labaki , de 1996 e que deu super certo e tem dimensão internacional. Veja a programação no endereço www.itsalltrue.com.br e aproveite, que tem muita coisa boa. Valeu !

quinta-feira, 27 de março de 2008

"O JULGAMENTO DE NUREMBERG-RICHARD WIDMARK"


Não param de chegar óbitos de gente ligada ao cinema, e hoje infelizmente, trata-se do ator Richard Widmark, que fez inúmeros papéis ligados a Westerns, Policiais e filmes de guerra, porém o grande destaque para mim é no filme O JULGAMENTO DE NUREMBERG, porque também é um grande filme e que traz outros grandes atores e um roteiro fantástico ( oscar de melhor roteiro) Richard Widmark faz o promotor que acaba fazendo contraponto a Spencer Tracy como Juiz e ao Burt Lancaster ( uau !) como juiz acusado, que colocam em questão o direito e a lei diante da justiça. Um tema infernal que é muito bem colocado. A característica principal do Richard Widmark é a seriedade na composição de seu rosto, ótimo para demonstrar preocupação e responsabilidade. O filme é de 1961, não assista ao remake que é muito pior. O original traz ainda como pano de fundo a Alemanha do pós-guerra, e além dos já citados, Maximilian Schell, Marlene Dietrich, e Judy Garland, além de outros bons atores e atrizes.

terça-feira, 25 de março de 2008

Eu Recomendo: Blog do MCL - Movimento Cinema Livre

Eu recomendo que você visite o seguinte endereço:
www.movimentocinemalivre.blogspot.com

é um blog onde você poderá encontra várias informações boas sobre cinema em geral. Tem textos interessantes, como um que estou lendo agora sobre Godard

A descrição do próprio blog começa assim:

"O Movimento Cinema Livre surgiu em fins de 2006 no Orkut com o intuito de tornar mais acessível o chamado cinema autoral, disponibilizando legendas inéditas em português (e SEMPRE gratuitas) na Internet. Após alguns meses, o movimento cresceu consideravelmente. Assim foi criado o blog, que disponibiliza críticas, links e legendas para filmes marginalizados no circuito comercial.
Atualmente a comunidade tem mais de 1000 membros no orkut e centenas de legendas disponibilizadas.
Todos estão convidados a discutir conosco as diretrizes do movimento, bem como contribuir com o blog ou com o banco de legendas, sendo tais contribuições sem dúvida a grande base de dinamização do MCL.
Este blog se restringe a disponibilizar filmes - significativamente apresentados - cujas legendas foram traduzidas pelo MCL."

Olha os tags deles:
O que já houve

* Bernardo Bertolucci (1)
* Chris Marker (1)
* Downloads (13)
* Glauber Rocha (1)
* Ingmar Bergman (2)
* Kieslowski (1)
* Lars Von Trier (2)
* Liv Ullmann (1)
* Louis Malle (1)
* Lukas Moodysson (2)
* Michelangelo Antonioni (1)
* Peter Greenaway (1)
* Roman Polanski (1)
* Ruggero Deodato (1)
* Sam Peckinpah (1)
* Shinya Tsukamoto (1)
* Textos e Entrevistas (7)
* Umberto Lenzi (1)

vale a visita

domingo, 23 de março de 2008

dicas de filmes ruins

Antecipando-se à crítica de que apenas postamos sobre filmes bons, vamos de vez em quando indicar algumas bombas, pois nem todo investimento dá certo, acredite.

O MAGNATA – o Magnata é um filme brasileiro, cara, cê ta ligado ? É um filme escrito por Chorão. Ce vc não ta ligado, pôrra, Chorão é o vocalista do Charlie Brown Junior, caralho. Já sei vc vai falar, filme brasileiro, cara, uma merda, um cú. É cara, tem muita juventude (pretos e brancos) neste filme: Grafiteiros, Hip Hop, Rap, Punk, cabelos moicanos, música eletrônica, skate ( com direito a Bob Bornquist), surf, João Gordo, Marcelo D2, Ratos do Porão, muita gente falando palavrão,muita gente falando cú, muita gente falando pôrra, muita gente falando caralho, e o personagem principal é um boyzinho, o Paulo Vilhena ! Cê deve ta perguntando o que um mané como o Paulo Vilhena tá fazendo neste filme, e sei que meu filho vai me xingar, mas o Paulo Vilhena tem tudo a ver com o Chorão e o Charlie Brown Junior. Como quase todo filme brasileiro, até a metade parece que tem um roteiro (uma bosta de roteiro) e aí de repente alguém rasga o roteiro e termina o filme de qualquer jeito. O Magnata é claro, tem uma mãe alcoólatra (a Maria Luisa Mendonça, péssima também) que não liga muito pra ele e pasmem, a consciência do garoto é o Marcelo Nova ! Quando vc pensa que nada de pior pode acontecer, tem também o Marcos Mion em uma ponta. Enfim, um retrato sem dúvida. Você acredita que neste filme ambientado na Night e no underground paulista, com brancos e pretos envolvidos com o crime e com tudo de ruim, não tem ninguém (eu disse ninguém) usando droga explicitamente ? Parece um conto de fadas do caralho, produzido pela MTV.

O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD - animado pelo western que ganhou o Oscar, resolvi enfrentar mais um, que trazia como isca a participação do Brad Pitt, que eu pessoalmente considero um grande ator, mas que também faz filmes muito ruins, como este. O maior bandido americano do oeste, Jesse James tem um bando de malfeitores que parece uma escola de excepcionais, sendo que um deles, interpretado à lá Rain Man por Casey Affeck, que depois eu fui descobrir que parece que é irmão do Ben Affeck (e foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante!) acaba por matá-lo. O filme é uma experiência ruim de trailer psicológico e faroeste, que no final você não consegue descobrir para que foi feito, a não ser talvez que você seja um profundo conhecedor da estória do Jesse James ou do livro no qual foi baseado o roteiro. O filme é tão ruim que até a cena de assalto (especialidade do cinema norte-americano) é mal feita. Se você quiser ver o Brad Pitt, veja “Os doze macacos”, “ Clube da Luta” ou outra opção melhor.

sexta-feira, 21 de março de 2008

"INVASÃO DE DOMICÍLIO"


Ainda no campo obituário, assisti em homenagem ao diretor inglês Anthony Minghella, também morto esta semana a um de seus mais recentes filmes: INVASÃO DE DOMICÍLIO ( Breaking and Entenring, EUA/INGLATERRA -2006). Na verdade, o filme usa da invasão, que nem mesmo é ao domicílio, ou seja, do furto de uma empresa, para falar de duas coisas distintas: Uma, de uma espécie de multiculturalismo, que confesso, me soa sempre muito estranho, e não gosto de ver nas telas. O filme é em Londres, mas o que se vê é uma profusão de estrangeiros, desde suecos a orientais, passando por negros, bósnios, Juliete Binoche fazendo papel de muçulmana e tudo que mais pintar. Só faltaram latino-americanos e brasileiros. O que há de errado em mostrar este multiculturalismo? O problema é que ele soa artificial. Ou as relações são do tipo estrangeiro= outsider ou são intensamente amistosas. Não há um meio termo mais realista, e para falar a verdade, quase não tem ingleses no filme. Parece uma mistura de Torre de Babel com edifício sede da ONU. A segunda intenção do filme, e neste ponto ele é mais feliz, é falar dos problemas de relacionamento amoroso (falta de romantismo, atenção exagerada da mãe aos filhos, atenção excessiva ao trabalho,etc...) e neste particular ajuda muito contar com o Jude Law, que desde CLOSER(de Mike Nichols,2004) faz muito sucesso com este tipo de papel de macho em crise. Em resumo é um filme meio bom, aliás como a obra do diretor de um modo geral, como em O PACIENTE INGLES e COLD MOUNTAIN (esse achei ruim mesmo). Do TALENTOSO RIPLEY não posso falar porque não vi.

quinta-feira, 20 de março de 2008

"O HOMEM QUE NÃO VENDEU SUA ALMA"

Esta semana em que morreram tantas pessoas importantes, mesmo sem a cruz, não há como não se prender ao obituário. Uma das mortes sentidas para o cinema é a do ator inglês Paul Scofield, que ganhou o Oscar de melhor ator em 1967, pelo seu desempenho no filme " O Homem que não vendeu sua alma" ( The Man for All Seasons) uma produção britânica de 1966, dirigida por Fred Zinneman, e que também ganhou o Oscar de melhor filme no mesmo ano. O filme tem roteiro de Robert Bolt e é baseado na peça do mesmo, contando a história de Thomas Morus, um advogado que se tornou chanceler de Henrique VIII e depois caiu em desgraça ao se opôr ao mesmo no episódio do divórcio do rei para casar co Ana Bolena e que gerou o cisma com a Igreja Católica e a criação da Igreja Anglicana. Thomas Morus era um intelectual respeitado, já havia escrito o célebre " Utopia", mas assumiu uma posição fortemente ética baseada em sua fé católica o que acabou lhe rendendo a prisão na Torre de Londres e posterior decapitação. Se você gosta de um bom filme sobre ética, poder, fé e razão, além de celebrar o excelente desempenho do ator falecido esta semana, que representa bem a escola dos atores britânicos respadados pela escola teatral, a fala vigorosa, a expressão facial marcante, aí está uma boa pedida, ainda com as participações especiais de Orson Welles e Vanessa Redgrave e um bom desempenho de todos os demais. É muito interessante o debate sobre o valor do silêncio como ação ou omissão - quem cala consente ? O homem perdeu a cabeça, mas virou santo católico e seu dia é 22 de junho.

domingo, 16 de março de 2008

DICA CURTINHA- TARANTINO'S MIND


Prá voce que gosta de falar sobre cinema, mesmo que não goste do Tarantino, vale a pena ver o curta-metragem "Tarantino's Mind", no Portacurtas, é claro !

ALEMÃES DE ÚLTIMO GERAÇÃO: A VIDA DOS OUTROS/ADEUS LENIN/EDUKATORS


Ontem foi dia de cinema (pra quebrar os vídeos) e assisti um bom filme alemão da nova geração: “A VIDA DOS OUTROS”, o que me trouxe a referencia de dois outros vistos nos últimos anos, “EDUKATORS” e “ADEUS LENIN”. Pelo que se vê, o cinema alemão já tem sucessores para a geração de Fassbinder, Werzog e cia. A VIDA DOS OUTROS é uma produção de 2006, que ganhou o oscar de melhor filme estrangeiro do ano passado, dirigido por Florian Henckel von Dannersmarck. ADEUS LENIN é uma produção de 2003 de Wolfgang Becker e EDUKATORS é de 2004, de Hans Weingartner. Os dois mais antigos já são manjados em locadoras e o outro está passando no cinema. Os três tem algumas coisas em comum: São filmes que falam sobre política, mas que não se limitam a isto, são temas sobre temas. A VIDA DOS OUTROS pega a questão da espionagem e da polícia política para falar sobre a intromissão entre o espião e o espionado e sobre a vida das pessoas pressionadas por um aparato burocrático repressivo policial. O ótimo ator Ulrich Mohe, faz o agente Wiesle, e se destaca. É o mais reacionário dos três filmes, mas é engraçado (tem uma piada hilária sobre o Erich Honecker (ex-líder da RDA) e uma cena do agente com um menino no elevador que também é muito engraçada). O Humor e a criatividade também são a tônica de ADEUS LENIN, que é fantástico e imperdível, também sobre a extinta República Democrática Alemã, e que nos apresenta um ator, Daniel Bruhl, que promete se consagrar, e que também estrela EDUKATORS, que fala sobre política, é o mais progressista dos três e fala ainda sobre amizade, amor, mudanças das pessoas, e tem u dos melhores finais de filme que assisti nos últimos tempos. Não deixe de ver os três. Parece que o cinema germânico que sempre foi criativo (Corra, Lola...) está adquirindo uma boa dose de humor e uma leveza maior, que talvez antes não fosse possível

terça-feira, 11 de março de 2008

'ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ'



Há várias leituras possíveis sobre o grande vitorioso do Oscar 2008, ou seja, “ No Country for old man”, produzido e dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Coen. As duas primeiras, é um bom filme, sem ser maravilhoso e a tradução para “ Onde os fracos não tem vez” mata muito do filme. Há uma característica que salta muito aos meus olhos, é que a fotografia, a trilha sonora e as imagens, retratam sem dúvida alguma, ainda aquele oeste bravio, mas com muita intensidade a fisionomia dos quatro grandes atores que compõe o quadro principal do filme, ou seja, Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Woody Harelson e Josh Brolin é o que mais retrata a dureza e a aridez daquela realidade. São faces duras, encarquilhadas, sem alegria, apenas risos irônicos, e a violência, fica bem claro, não está só na ação. Neste sentido lembra um pouco “Os Imperdoáveis”, porém com menos referencia no passado, e sim no presente cruel (até para com os animais) em que o personagem principal, o xerife de Tommy Lee Jones, representa o anti-herói, o homem da lei impotente, fraco e que assume uma atitude de desesperança e inevitabilidade diante de um quadro de violência, que eu chamaria de “violência má”, uma violência insana que no final é a grande vitoriosa no filme. Não é a simples violência que choca no filme, pois sabemos bem que o público, principalmente o norte-americano, mas nós também não estamos ficando atrás, gosta da “violência boa”, aquela na qual estamos no papel de mocinhos. Mas não é desta violência que o filme fala e sim da insanidade moral e da falta de sentido de uma lógica particular (neste sentido me lembrei de um filme, “Kalifornia” (1993), com um excelente contraponto entre Brad Pitt,Juliette Lewis e David Duchovny) em que o matador de Javier Bardem não deixa de reparar que todos lhe dizem o mesmo: “Você não precisa fazer isso” !

O que mais me chamou a atenção, após todas estas anotações, foi o fato deste filme ter ganho o Oscar. Não vou entrar na inútil discussão comparativa, até por que não vi os outros, mas acho significativo e mesmo doentio este filme ter ganho o prêmio de melhor filme pela industria do cinema de Hollywood. Acho que é um sintoma, e neste sentido há muita diferença com “Crash”, de que a violência sem sentido, os cadáveres e o sangue estão muito mais próximos e cada vez nos chocam menos (O xerife diria que é inevitável e ainda acrescentaria para o ajudante: Voce já reparou quem está morrendo?) e talvez mesmo por isso, o Presidente dos EUA não tenha vergonha de defender a tortura (a boa) e um quarto dos brasileiros (segundo recente pesquisa) também não. Neste mundo, não há mesmo lugar para a lei, a justiça, para heróis e para os mais velhos. Há, também não há lugar para sonhos !