sábado, 30 de maio de 2009

A TROCA



O filme "Changeling" (2008) dirigido por Clint Eastwood, se baseia em fatos reais, e em um bom roteiro. Mais do que isto, na boa representação da Angeline Jolie, que de forma impressionante, consegue passar sensualidade misturada com sofrimento e arrebata o filme. Além do desempenho da atriz, também os demais do elenco, que funcionam mais como apoio ( talvez com a exceção do Jonh Malkovich) são bons e neste caso fica claro o peso do trabalho do diretor. É um bom filme, sem dúvida alguma, talvez um dos melhores da Angeline Jolie.

Queime Depois de Ler

Alguns acham que "Burn after reading" (2008) dos irmãos Coen é um "besteirol"..., já eu acho que é uma típica "chanchada", mas certamente os diretores pretendiam uma sátira. Não deixa de ser, mas é uma sátira boba, que pretende ridicularizar ( tema do gosto norte-americano) os órgãos de informação dos EUA ( aqui, não sei bem porque, a gente leva este "povo" mais a sério, resquícios da ditadura militar). O elenco é de primeira grandeza, sendo que alguns atores, como o Brad Pitt ( excelente) a Frances Mc Dormand e o Jonh Malkovich ( é claro) ressaltam dos demais,pois são excelentes para o tipo de filme. Já o George Clooney faz um papel ridículo, com um desempenho péssimo que deve ser um dos piores de sua carreira. Em matéria de sátira pouco reflexiva, os hermanos do norte são melhores nos sitcons televisivos, ficando o filme a desejar. Dá prá ver ? Dá, mas na falta de coisa melhor para fazer.... Um ou outro sorriso, e só, é muito pouco para tantos astros e estrelas, fora a esperança de algo melhor dos diretores pós-Oscar.

terça-feira, 12 de maio de 2009

TOMMY

"Tommy" é o filme de 1975 de Ken Russel, baseado na ópera-rock do grupo inglês "The Who". Como musical tem defeitos e qualidades,como por exemplo a inconsistencia de muitas das falas cantadas e acaba por ser um filme mediano. Ressalta a criatividade na filmagem e na composição de algumas cenas, com absoluto destaque para aquela que foi cortada quando o filme passou no cinema, que é o culto à Marilyn Monroe. O roteiro cai um bocado após a cura do personagem e vira algo entre a comédia e o discurso direto, salvando-se sempre, porém, pela excelente trilha sonora e pela capacidade que tem de expressar um momento histórico cultural que evidentemente já passou. A boa atuação da Ann-Margret e a curiosidade pelo desempenho dos convidados especiais Elton Jonh e Jack Nicholson também são ingredientes valorizados. Valeu re-ver!

domingo, 10 de maio de 2009

O REI DA COMÉDIA

" The King of Comedy" (1982) é um clássico do cinema para mim. Entretenimento e muita ( muita ) reflexão. Meus filhos acham uma chatice, este filme do Martin Scorcese, com roteiro de Paul Zimmerman, que foge aos próprios padrões do diretor e apresenta além do roteiro, as brilhantes atuações de Robert De Niro ( fabuloso) e do Jerry Lewis em um dos raros papéis sérios de sua carreira, além da Sandra Bernhard também muito bem. Pensar sobre o sucesso, o vazio na vida das pessoas, o entretenimento enquanto negócio e de certa forma a loucura e a imaginação, com humor e ironia é o conjunto de ingredientes desta obra prima, que antevê os vazios anos seguintes, se bobear até hoje e lá vai fumaça, mas com muito sucesso sempre.

terça-feira, 5 de maio de 2009

FELIZ NATAL



Não sei se conceituar um filme “Cult” é tão simples como identificar um. Acho que de uma maneira geral, um filme “Cult” é aquele em que a função entretenimento é deixada de lado em face de outras funções tais como a propagação de uma ou mais idéias ou conceitos, experimentalismos e catarses, desempenhos e por aí vai....Muitas vezes os próprios produtores, diretores, atores, e demais envolvidos na confecção do produto, assumem uma atitude “Cult”, ou seja, de deixar para lá o entretenimento e o próprio público e se voltar para uma obra “autoral” demais que pode passar por incompreensível ou de difícil compreensão e quase sempre chata. Porém, na maior parte das vezes os envolvidos na confecção do produto estão preocupados com o entretenimento e o público, mas não querem ou não aceitam fazer algo dentro dos rígidos parâmetros do entretenimento atual, que despreza qualquer forma de qualidade ou reflexão. Estes produtos são taxados de “Cult” de fora prá dentro, uma vez que são identificados como dissonantes da tendência do mercado e da formação cultural da sociedade de consumo em que vivemos, mas não correspondem a um desejo de ser “Cult”.

De uma maneira geral os filmes “Cult” tem temáticas reflexivas, sendo que as motivações subjetivas e comportamentais são um “prato cheio” que provoca ânsias de vômito naqueles que não querem pensar e que acham que entretenimento é sinônimo de idiotice. Mas o principal no filme “Cult” e que muitas das vezes afasta muito mais o público do que as temáticas é o tratamento formal, que sempre deseja fazer algo diferente do padrão estabelecido e às vezes acaba construindo uma linguagem muito distante daquela linguagem “idiota” que nos ensinam diariamente.

Devo todas estas digressões “Cult” ao filme “Feliz Natal”(2008) do estreante na direção de longas, Selton Mello, que além de brilhante ator, tem a excelente qualidade de não ter medo de ser “Cult” ou de ser taxado de “Cult”, talvez consciente de que isto representa uma atitude contrária as padrões quase que débeis mentais, estabelecidos pela indústria cultural e seus donos. A consciência ou não desta atitude pode gerar uma “atitude Cult” que à vezes significa um experimentalismo formal excessivo, uma trilha sonora chata e autoral demais, mas quase que sempre com bom resultado no tal. O filme em si, é um bom roteiro e uma boa direção, ajudados pelo desempenho sensacional dos atores que transforma algumas cenas em brilhantes. Todos os principais atores estão muito bem (Leonardo Medeiros, Graziela Morato, Paulo Guarnieri, Darlene Glória, Lúcio Mauro). A cena destaque é o almoço do enterro dos ossos.Há um certo “moralismo” talvez extremado na cena do garoto tomando o remédio da avó, mas nada que não se possa aceitar. Se o primeiro produto é bom assim, a tendência que esperamos e que mais do que isto precisamos é que cada filme seja melhor ainda, e que a longa distância entre o gosto médio do público e a criatividade do autor seja diminuída cada vez mais, por elevado esforço de ambas as partes.



segunda-feira, 4 de maio de 2009

EDEN A L'OEST

Aproveitando o 0800 do Cinefrance, para ver o atualísssimo " Eden a l'oest" do afamado diretor Costa-Gravas e reatar minhas relações com esta arte caríssima hoje que é o Cinema. Não está no primeiro time dos filmes do cineasta greco-frances, como por exemplo Z, Missing e Amen, mas é um filme interessante, no qual o destaque não é o trabalho dos atores ( longe disto) e muito menos o roteiro, que é fraco e muitas vezes resvala para a caricatura e a comédia. Mas ainda asssim o filme vale pela denúncia, que é o seu pano de fundo, ou seja, como é (mal na maioria das vezes) tratado o imigrante ainda mais neste dias bicudos. Há imagens muito boas no filme, especialmente em seu começo e de um modo geral há algo no Costa-Gravas que salva seus filmes do ridículo - bom comportamento é uma exceção, o que dá um toque de realidade. É um filme atual e bem melhor que o último " O Corte" em que também o diretor pega um tema atual, mas a estória que ele cria em cima é meio sem pé nem cabeça.

sábado, 2 de maio de 2009

OS FUZIS

Aproveitando a TV Brasil, Re-vi "Os fuzis", que é um filme de 1964, do diretor Ruy Guerra, e que é considerado um marco do chamado "cinema-novo" brasileiro. Algo de muito novo no filme, é o seu caráter realista, no qual o povo do sertão nordestino é apresentado de forma pouco romântica, quase que bestializado em sua inércia diante da seca, da fome, da violência das armas, esperando o milagre do boi. Um pouco datado na história, o filme traz um discurso político direto, e apresenta bons desempenhos principalmente do Atila Iório, da Maria Gladys e do Nelson Xavier. Acho interessante esta contraposição de discurso, com aquela imagem romântica do camponês heróico, lutador e que vai ganhar as mentes da intelectualidade após 1964. Acho que o Glauber Rocha fica no meio desta caminho, aproximando mais o tipo cangaceiro, e o tipo capanga do povo comum. Aqui neste "Os fuzis" o povo parece um tipo bem aparteado e incapaz de reação armada, embora ao final haja uma concessão ao materialismo. Não chega a ser empolgante, mas sempre é bom re-ver clássicos, pois sempre se encontra uma nova perspectiva, ainda mais se contrapondo ao que hoje conhecemos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

VER-TE-EI NO INFERNO


" Ver-te-ei no inferno"(The Molly Maguires) é um clássico de 1970 do diretor Martin Ritt, uma vítima do Machartismo norte-americano do pós-guerra, falecido em 1990, que traz Sean Connery, Richard Harris e Samantha Eggar em boas atuações, e que tem duas funções brilhantes: Conta uma estória sobre traição,culpa, solidariedade, moral e luta política e mostra a realidade dos mineiros na Pensilvânia no final do século XIX. O filme traz um realismo pouco característico do cinema de entretenimento dos Estados Unidos e talvez por isto mesmo seu diretor tenha sido acusado de "atividades anti-americanas". O Diálogo final entre Sean Connery e Richard Harris é o melhor momento do bom filme, que também traz a novidade de mostrar um pouco da realidade das camadas trabalhadoras e dos imigrantes irlandeses. Achei particularmente interessante o modo particular de como eles continuam sendo católicos, ainda que de uma forma digamos " explosiva". O desempenho do veterano ator Philip Borneuf como o Padre ajuda muito.Vale a pena dar uma boa olhada no filme. Fiquei até com vontade de rever "Norma Rae" que é um Martin Ritt mais da minha época e um outro Stanley e Iris, com o Robert De Niro que acho que não vi.

domingo, 26 de abril de 2009

GOMORRA

Não é nada fácil fazer um filme-denúncia, como este. Baseado no livro de mesmo nome de Roberto Saviano, que transformou seu autor em um perseguido pela máfia napolitana, a Camorra. O filme foi comparado a “Cidade de Deus” o que é um pecado, pois há muita diferença de qualidade entre eles, e Cidade de Deus é bem melhor. Gomorra é realista, mas fica meio desconexo, não conseguindo o diretor Matteo Garrone fazer bem a ligação entre o mundo do tráfico e suas quadrilhas e o mundo dos contratos de resíduos. Falta também algo entre as gerações dos Dons e seus descendentes. O realismo do filme não produz muitos efeitos para nós aqui do Brasil, acostumados que estamos com tráfico de drogas, quadrilhas e contratos lesivos à saúde da população, mas mostra uma realidade indesejável, especialmente em termos de União Européia. Vale a pena dar uma olhada, mas sem grandes esperanças. É um filme apenas razoável, e o livro deve ser bem melhor!





sábado, 25 de abril de 2009

VITIMAS DE UMA PAIXÃO


" Vítimas de uma Paixão" (Sea Of Love) é um excelente "policial" do ano de 1989, dirigido por Harold Becker, e no qual o fabuloso Al Pacino cria o detetive Frank Keller e é muito bem secundado por Jonh Goodman e pela sensual Ellen Birkin. Hoje em dia quando temos um "policial" com um bom roteiro já ficamos felizes. Este filme é da época em que éramos um pouco mais exigentes e além de um bom roteiro ainda nos dávamos ao luxo de exigir alguma reflexão sobre algum assunto, como por exemplo " Um dia de cão" e este fime, que fala muito sobre a solidão e a paixão. É muito bom, e ainda tem o impágavel encontro com os Knicks no começo, com direito a uma ponta do inicial Samuel L. Jackson. De vez em quando é bom um mergulho no passado!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O AMANTE

"O Amante" é uma produção do diretor britanico Richard Eyre de 2008, intitulado no original como " The Other Man". O título não é sem propósito, mas cuidado que há outros filmes muito melhores com o mesmo título em português. Se puder não perca tempo com este, e desta vez não é pelo Antonio Banderas. Nem ele nem o Liam Neeson tem culpa de um roteiro fraco, do qual é culpado o próprio diretor, que recentemente fez o ótimo "Notas sobre um Escandalo", mas que neste filme conseguiu fazer personagens e estória sem pé nem cabeça, em que nenhum dos personagens ( e não os atores) consegue ter alguma plausibilidade em suas condutas e o filme além de ser fraco como entretenimento não faz nenhuma discussão ou reflexão sobre a verdade, a mentira, a traição, e para falar a verdade sobre nada. Totalmente dispensável e cuidado com o trailer- não se deixe enganar como eu.

domingo, 19 de abril de 2009

TERRA VERMELHA

Em homenagem ao dia de hoje, solenemente esquecido pela grande mídia e sociedade em geral, como o próprio índio, assisti " Terra Vermelha" uma produção ítalo-brasileira de 2007, do diretor Marco Bechis com roteiro do próprio e mais de Luis Bolognesi, brasileiro, marido da cineasta Lais Bodanski e roteirista do elogiado "Bicho de Sete Cabeças" e "Chega de saudades". O título original em italiano seria talvez melhor traduzido por " A Terra dos homens vermelhos", mas em Inglês é pior: " Birdwatchers". O filme tem algo de muito bom: desde o começo fica claro que não se trata de uma visão romântica e nem estereotipada. Penso que eleger um dia para comemorar o índio é meio que reconhecer o enorme genocídio físico e cultural que fizemos, e quando o dia cai no esquecimento é meio que reconhecer o sucesso desta "solução final". Durante anos nossas escolas fizeram nossas cabeças criando uma imagem de índio estigmatizado e folclorizado e com isto não conseguimos nos reconhecer como índios. O filme mostra entre outras coisas, que continuamos matando o índio dentro de nós e o que é pior, fisicamente também. O filme mostra as desventuras de uma comunidade Guarani-Kaniwoá tentando uma retomada de terras próximo a Dourados no Mato Grosso do Sul. A (im)possibilidade desta retomada, especialmente do ponto de vista cultural ( tipo- não há mais possibilidade de viver de caça e pesca) poderia ser uma razão para os suicídios, mas o filme traz componentes metafísicos e religiososque complicam um pouco esta questão. Um bom entretenimento e meio de reflexão, para nós que somos índios, embora longes daquela imagem estigmatizada e folclorizada que se "comemora" em 19 de abril.

sábado, 18 de abril de 2009

FALE COMIGO

Fale Comigo (Talk to Me) é um filme de 2007, da diretora e atriz Kasi Lemmons, que aborda a vida do radialista negro Ralph (Petey) Greene, que teve papel importante na rádio de Washington DC na década de 60 em meio aos problemas raciais ocorridos e que inclusive geraram o assassinato de Martin Luther King. O filme é bom, os atores estão muito bem. Don Cheadle, muito bom, embora ainda pague o preço da excessiva exposição humorística no Saturday Night Live. O ator inglês Chiwetel Ejiofor que já me chamara a atenção em "Coisas Belas e Sujas"( consegue conter bem as emoções na face) aparece muito bem e a atriz Taraji P. Henson que é especializada em TV faz muito bem seu papel que é difícil e beira sempre o precipício da caricatura. O filme tem bons momentos e emociona em outros. Vale a pena dar uma olhada boa ! É lógico que também tem uma boa trilha sonora!

sábado, 11 de abril de 2009

MUNIQUE

"Munique" é um filme do Steven Spielberg de 2005. Como todo filme do Spielberg é uma produção bem cuidada, bem dirigida, que se presta a contar uma estória de forma a defender uma idéia do diretor. A partir do atentado contra a delegação de Israel nos jogos olímpicos de 1972, o diretor conta a estória de uma equipe especial de espiões-assassinos encarregados de matar os supostos líderes-participantes do atentado pelo mundo. O filme é prejudicado por um roteiro ruim, em que os serviços secretos são desmoralizados pela quantidade de equívocos e situações que beiram o cômico de tão inverossímeis, sendo esta a essencia da tese do diretor até mesmo em relação à morte dos israelenses no atentado. Os atores também não ajudam em nada, são fracos e passam uma atmosfera de irrealidade que depõe contra a verossimilhança essencial para um filme inspirado em fatos reais. O resultado não chega a ser ruim de todo, mas fica à léguas por exemplo da " Lista de Schindler", que tem uma magnífica estória, excelente roteiro e bons atores. Este "Munique" só tem quase que direção, o que é pouco!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

AS DUAS FACES DA LEI





AS DUAS FACES DA LEI ( Righteous Kill) é um “policial” de 2008, do diretor Jonh Avnet, que depois de dirigir o ótimo Tomates Verdes Fritos, na década de 90, decaiu muito. Neste filme, com orçamento enorme, usam-se dois “monstros sagrados” da interpretação, Robert De Niro e Al Pacino, como policiais veteranos, que investigam um Serial Killer. O roteiro é criativo, os caras são mesmo muito bons, e ainda tem o Jonh Leguizamo muito bem. Não é a minha especialidade e o que mais gosto em cinema, mas funciona bem, ou seja, distrai e tem bons momentos.



quinta-feira, 9 de abril de 2009

NEVE SOBRE OS CEDROS

"Neve sobre os cedros" é um filme de 1999, do diretor Scott Hicks, no qual a pretexto de contar sobre o julgamento de homicídio em que a vítima é um pescador branco e o acusado um descendente de japonês, desfila todo o manacial de preconceitos raciais, comum, infelizmente até hoje entre nós, ainda mais, diante de eventos cruciais como a saegunda guerra no caso do filme e se quisermos ir para tempos mais contemporâneos, o episódio das torres gêmeas e o preconceito contra muçulmanos. O tema é amplo e bom, mas o filme é arrastado e composto de flash-backs e entrecortado, se arrastando na maior parte das vezes, compondo um resultado chato, que teve algumas referencias elogiosas à fotografia, o que em termos de DVD fica prejudicado. O trabalho dos atores desaparece e o protagonista Ethan Hawke faz um dos seus piores desempenhos. É o desperdicio de um grande tema, pois igual preconceito atingiu judeus, descendentes de alemães ( meu pai reportou episódios pessoais parecidos), italianos duarnte a segunda guerra ( até mesmo no Brasil) e o lamentável é que pouco mudou, e ainda assistimos arroubos de discursos nacionalistas e identitários fascistas.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ROMANCE

" Romance" é um grande filme nacional, do diretor Guel Arraes, de 2008. Um tratado cinemato-teatral sobre o amor - tem uma hora que o personagem do Wagner Moura, nos traz Nietzche: " O casamento é o túmulo do amor" e os meus fantasmas se remexeram todos e continua a parafrase Nietzchiana: " Filhos ou Livros" e a Letícia Sabatella responde- é possível o amor e a rotina, e o filme diz- é possível cinema e televisão, teatro e telenovela- um show de roteiro do Guel Arraes e do Jorge Furtado. Filma-se a encenação de uma peça ( um pouco a la Carlos Saura) e mistura-se a realidade e a ficção, Tristão e Isolda, a transformação do amor em dor, enquanto o Caetano Veloso canta "estranho amor". O elenco compõe com maestria o trabalho do roteirista e do diretor. Wagner Moura, Letícia Sabatella ( maravilhosos), Andrea Beltrão e Valdimir Brichta ( um pouco abaixo, mas também bons) , José Wilker, Bruno Garcia,Marco Nanini e Tonico Pereira, com papéis menors, mas todos muito bons, e de repente Tristão e Isolda vão para o nordeste (Paraíba) e falam de paixão e representação, de atores ( e poetas) que fingem, de ficção e realidade, de final feliz e sofrimento e dor, de amor e arte. A conclusão é dos personagens- "as verdadeiras estórias de amor servem para as pessoas não desistirem de procurar uma saída, ainda que saída não haja". Bom demais !

quinta-feira, 2 de abril de 2009

QUANDO ESTOU AMANDO


"Quando estou amando" é o título em português de " Quand J'etais Chanteur", filme de 2006 do diretor Xavier Gianolli, em que fiz minha reconciliação com o cinema francês mais ou menos moderno. O filme é bom, totalmente centrado no personagem encarnado maravilhosamente pelo Gerard Depardieu, que faz um cantor de churrascaria, boate, ou coisa parecida, cafona, romântico e solitário, que se envolve com uma figura contemporânea enigmática vivida com bastante correção pela atriz Cecille de France. Há certos personagens que são encarnados pelo ator, e sempre há uma certa disposição física e psicológica para isto. Depardieu está bem a vontade no papel e faz com maestria, em um filme que fala sobre temas meio recorrentes no cinema francês como a solidão e desamor. Vale a pena dar um a olhada sem pretensão e curtir um bom filme.

sábado, 28 de março de 2009

CARTOLA- MUSICA PARA OS OLHOS


Na busca dos muitos grandes brasileiros, revi este excelente documentário, de 2006, dos diretores Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, em que com o pretexto de contar a estória do grande compositor de muitos sambas inesquecíveis e maravilhosos, acabam contando um pouco da estória do Rio de Janeiro, da Música Popular e do Brasil, com profusão de imagens históricas ( como a célebre apresentação do Donga na TV com o Chico Buarque), depoimentos, belos versos e muita poesia. Tudo de bom. O Som ainda é um problema, mas vale a pena enfrentar. Nada é perfeito, mas algumas coisas (muitas? ) são bonitas demais. Valeu !

segunda-feira, 16 de março de 2009

O MIADO DO GATO

" The Cat's Meow" é um filme de 2001, do diretor Peter Bogdanovich, com roteiro de Steven Peros. O diretor, embora não seja do primeiro time, é um daqueles corretos e bons e o filme é bem o seu retrato. Uma boa estória, um bom roteiro, contada de forma eficiente, com bons atores (todos do segundo ou terceiro escalão, mas eficientes) com destaque para a Kirstin Dunst (que só ficou famosa no Homem Aranha depois) e para o Eddie Izzard ( muito bom no papel de Chaplin). Não é nada fabuloso e fenomenal, mas uma boa estória contada de forma eficiente, que distrai e faz pensar. Pra que mais ? Vale a pena ver.

domingo, 15 de março de 2009

A NEGAÇÃO DO BRASIL


" A negação do Brasil" é um ótimo documentário de 2000, do diretor Joel Zito, que trata de uma perspectiva da história das telenovelas no Brasil, pelos seus personagens negros. Vi na TV Brasil que prossegue em seu bom trabalho em termos de programa de cinema. É fantástico, rever imagens e conceitos das telenovelas, personagens e atores, e desde já destacar que o tom crítico não é de forma alguma pessimista e pelo menos dois momentos, na suposta "homenagem" a Grande Otelo na novela Mandala e na "Cabana do Pai Tomás" em que pintaram o ator branco Sérgio Cardoso, o efeito para mim foi surpreendente. Além das imagens, legais as entrevistas e o resultado final, muito bom !

sábado, 14 de março de 2009

UM SEGREDO ENTRE NÓS

"Um segredo entre nós" é um drama subjetivo, do diretor Dennis Lee (2008), baseado no poema " Vagalumes no Jardim" que é o título em Inglês. Se você gosta de filmes que tratam das culpas e responsabilidades nas relações pai e filho e dos seus efeitos e consequências, encontrará motivo para ver o filme, que traz Julia Roberts e Wlliam Dafoe muito bons como os pais e ótimos atores mirins, mas nem tanto os filhos maiores que deixam um pouco a desejar. O roteiro tem algumas coisas que só podem ser interpretadas de forma metafórica, tão longe do provavel estas coincidencias estão, mas o tema é recorrente na maioria das famílias e vc certamente, como eu, se identificará com algo no filme, que não é mesmo assim, nenhuma maravilha.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A CASA DA MÃE JOANA

"Casa da mãe Joana" (2008) é uma grande chanchada, dirigida pelo Hugo Carvana, e com uma penca de bons atores para o gênero, como Paulo Betti, José Wilker, Pedro Cardoso, Antonio Pedro, Laura Cardoso, Arlete Salles (Está ótima no filme) e por aí vaí. Tem bons momentos, em que você certamente vai rir, mas no todo, deixa a desejar. Uma grande vantagem das chanchadas é que você pode fazer um roteiro totalmente sem sentido e louco, que agrada. Assim é Casa da Mãe Joana. A direção do Hugo Carvana parece ser totalmente apropriada para este tipo de filme. Uma pena o papel do Agildo Ribeiro, cujo talento foi jogado fora Algo que me chamou a atenção é que as atrizes mais novas, tipo Malu Mader e Juliana Paes, não conseguem fazer bem este estilo de filme. Um tratado sociológico poderia explicar talvez porque este tipo de filme faz menos ( quase nenhum) sucesso do que " Se eu fosse você". Qualquer hora dessas vou pensar no assunto. É um filme que você pode ver sem susto, pois ele é aquilo mesmo que está na cara, sem surpresas.

segunda-feira, 2 de março de 2009

MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS

O título do filme em português, traduzido do título em inglês pode levar a algum engano e fazer você se dispor a ver este filme. Ainda mais que se trata de um filme do festejado diretor francês Alain Resnais. " Coeurs" ( 2006) Mas, vai ser uma tremenda decepção! O filme é fraco, tem um roteiro ruim e os atores acabam naufragando. Estou meio desconfiado do cinema francês que está sendo produzido ultimamente, ou não tenho dado sorte. O filme descreve meio sem sentido, diferentes problemas de relacionamento, sem aprofundar nada, sem qualquer lógica e cá entre nós, tem personagens que beiram o caricato, como a "religiosa" que se utiliza de idumentária e imagens pornográficas. Muito lugar comum e a meu ver, desperdício total de recursos. Uma chatice só!

domingo, 1 de março de 2009

SEGREDOS DE ESTADO

Quelques jour em septembre ( 2006) é um filme francês do diretor e roteirista Santiago Amigorena, argentino de nascimento. O título em português “Segredos de Estado” é uma grande bobagem. Na verdade o filme é um lugar comum de filmes de espionagem ( sem muita ação, o filme é chato) tendo como pano de fundo o dia 11 de setembro de 2001 ( lembra de algo neste dia? ) Um roteiro que mostra a incapacidade de muitos diretores e roteiristas europeus de se fazer bons filmes de ação e que estraga com dois bons atores, Juliete Binoche e John Torturro, que viram duas caricaturas de espiões. Se salva o Nick Nolte porque quase não aparece. Se alguém conseguir ver, me diga depois o que significam os papéis dos filhos. A única coisa que salva do filme é um curto diálogo sobre americanos e franceses, mas é muito pouco para muita película gasta. Um desperdício.





sábado, 28 de fevereiro de 2009

CONSUMIDO PELO ÓDIO


"Consumido pelo ódio" é um filme do diretor Yoichi Sai, de 2004, estrelado pelo bom ator Takeshi Kitano. Confesso desde já, um quase que total desconhecimento e mesmo um certo estranhamento com o cinema e a cultura japonesa.O que me atraiu no filme foi a sinopse do roteiro, que pretende contar a história de um "self-made-man" ou seja, um homem que se fez sozinho, imigrante da Coréia e que criou família e empresa no Japão sempre desenvolvendo suas relações pesssoais com muita violência e agressividade. Uma espécie de anti-visão do oriental suave. O ator ajuda muito a compor a estória, mas há um detalhe que me chamou a atenção: Não há no filme nenhum indagação sobre os porquês, ou seja, em nenhum momento se busca qualquer explicação sobre o comportamento dos personagens. É tudo dado e pede resignação, mesmo quando há revolta( quer seja pelos filhos, quer seja pelos funcionários) tudo gira meio sem lógica, ou com uma lógica que me passou totalmente desapercebida. Há um conformismo que beira o irracional nos filhos e principalmente nas mulheres que são bestializadas e tratadas como meros objetos. É um filme longo, que dá prá ver se você não for muito exigente e não se importar em ver violência nas relações humanas. Como definiu um personagem da máfia japonesa sobre o personagem principal: é um monstro ( igual a muitos por aí).

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

ERA UMA VEZ UMA FAMÍLIA

" Era uma vez uma família" é um filme de 2002, do diretor britânico Shane Meadows, estrelado por um quarteto muito bom, que é o Robert Carlyle ( de "Ou Tudo Ou Nada", "Trainspotting"), Shiley Henderson,Rhys Ifans e a adolescente Finn Atkins. O título em inglês e alguma coisa na trilha sonora indicam uma releitura de westerns, no qual se defrontam o desajeitado, medroso e estável personagem de Rhys (Dek) e o jovial, irresponsável e egocentrico Jimmy , vivido pelo Robert Carlyle, disputando o amor da personagem de Shirley Henderson e de sua filha Marlene. A mãe ainda balança e muito pelo "louco" Jimmy, que a abandonou e a filha muitos anos antes, mas a vitória no duelo vai ter a participação decisiva da filha. Não chega a ser um grande filme, mas funciona. O problema é que os personagens periféricos e a própria visão britânica sobre os escoceses (Carlyle) e galeses (Rhys) beira o caricato e conduzem mais para o humor, do que para uma eventual pretensão de seriedade. Ainda assim vale a pena dar uma olhada!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

FARENHEIT 451

" Farenheit 451" é um dos clássicos de François Truffaut, de 1966. Uma fábula sobre uma sociedade do futuro, onde os livros são queimados, posto que inimigos, uma vez que provocadores de emoções perturbadoras, de sonhos e tudo o mais. Um dos bombeiros-algozes, treinado para queimar os livros, passa a ler alguns dos exemplares que devia combater, e com isso, sua "paz" familiar e social é invadida, e ele acaba se tornando anti-social ( há uma cena impagável do personagem principal "Montag" lendo para as amigas da esposa. Os atores principais ( Oskar Werner e Julie Christie) desempenham bem seus papéis, sendo que a atriz desempenha dois papéis, a esposa movida a pílulas e a da ativista pró-livros, mas o astro principal do filme é seu roteiro fantástico e para nosso desespero, bastante atual. Ter livros e ler ainda não são crimes, mas nada impedem que sejam em breve. Veja o filme!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

ARTE.AMOR E ILUSÃO

Arte, Amor e Ilusão é a tradução brasileira para " The shape of things", uma produção de 2003, roteirizada e dirigida por Neil Labute, em cima de uma peça de teatro do próprio. É um filme sensacional, daqueles que você quase deixa de ver porque ele não parece ser um filme sensacional. Jovem tímido e quase meio idiota se relaciona com artista contemporânea e mais um casal de amigos. Você já viu algo assim não é? Não desligue, continue vendo, que após o começo meio "sessão da tarde", o filme fica fantástico e um sem número de questões são levantadas a partir do surpreendente roteiro. Infelizmente não dá prá contar mais! A Rachel Weisz, que aliás foi o principal motivo d'eu arriscar ver o filme está soberba e todos os demais cumprem bem o seu papel, inclusive o Paul Rudd. Uma arte e uma sociedade excessivamente ligada na "forma das coisas" são os alvos principais deste filmaço nota 10!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

BRAZIL


Este filme do diretor Terry Gilliam, de 1985 é um dos meus clássicos ! Sempre que posso re-vejo e cada vez mais fico impressionado. A estória de uma sociedade do futuro cheia de elementos do passado, como a burocracia em excesso, violência e tortura, ausencia de liberdade, entremeada de um romantismo mágico, fantástico. Para mim, não há como um brasileiro não saber porque o filme se chama Brazil, embora este pareça ser um mistério, não obstante a trilha sonora calcada na "Aquarela do Brasil". É muito imaginário e um desfile de excelentes representações, com lugar para o coadjuvante Robert De Niro como "herói" do gatilho. Pena que os demais filmes de Gilliam, exceto os realziados com o pessoal do Monty Phiton, usem muito este romantismo mágico mas sejam muito referentes ao folclore e cultura europeu ( irmãos Grimm e Muchausen).
Ainda assim o cara é gênio ! Dá prá fazer inúmeras leituras sobre o filme, inclusive da apropriação estética para o romantismo. Muito bom !

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O OUTRO LADO DA RUA

"O outro lado da rua" é uma produção nacional de 2004, dirigida e co-roteirizada pelo Marcos Bernstein. O filme é estrelado pela Fernanda Montenegro e pelo Raul Cortez, que compõe ambos com maestria, seus personagens. O roteiro, embora as vezes um pouco longo, não obstante a referencia inegável com Hitchcoch fala de uma mulher da terceira idade, sozinha em Copacabana, que participa de programa de policiamento comunitário e acredita ter visto um crime pela janela (indiscreta) de seu apartamento e caba ase envolvendo com o suposto criminoso. Dá prá falar sobre uma porção de coisas, e o filme fala, solidão, amor e sexo na terceira idade, acusação sem provas, tudo com o recheio de um filme tipo "noir". A direção é que perece ser o problema do filme. Há muitas cenas desconexas, que atrapalham o desenvolvimento da estória além, de alongá-la além do necessário. Ainda assim vale a pena ser visto, pois é uma boa estória, com grandes atores, especialmente a Fernando Montenegro em um grande papel. Como parece ter sido a primeira direção do Bernstein, que se dedica mais a roteiros, o cara promete.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

VINICIUS

Continuando na linha da busca dos grandes espécimes da raça humana, eis que assisti ao documentário " Vinicius" de 2005, de Miguel Farias Junior. O filme é muito bom e o foco é justamente a dualidade da formação erudita do fantástico poeta e sua irresistível atração popular, tudo regado a um romantismo atroz no qual os sentimentos e a ingenuidade transbordam a cada depoimento a cada música e a cada poesia declamada pela Camila Morgado e pelo Ricardo Blat. Meu Deus, o que é a Camila Morgado ! Nestes anos de reviver a Bossa Nova, interessante observar o papel de Vinicius nesta tensão entre o erudito e o popular e não é a toa a Nara Leão em "Pobre menina rica" e não é a toa também o Ofeu e Eurídice com todo pessoal do Teatro Negro, que depois se resolve na música com Baden Powel e os afro-sambas. Em resumo, uma vida rica, de um diplomata, bacharel em direito e poeta, que enriquece a música popular e ajuda a compor principalmente o Rio de Janeiro e o Brasil. Há muito que dizer, mas o melhor é assistir!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

AGUIRRE, A COLERA DOS DEUSES

O filme em questão é um clássico do cineasta alemão Werner Herzog, produção de 1972. É um precursor de "1492, a Conquista da América", de Ridley Scott, no qual, a natureza reina absoluta, dizimando os sonhos, aqui mal disfarçados da verdadeira loucura, que foi o episódio da colonização. Fica bastante claro o quanto somos frutos desta loucura, entremeada de violência e ambição. Alguns acham até hoje, que a natureza vai dar a última palavra. Brilhante atuação do Klaus Kinski, que além de uma galeria de personagens estranhos, deixou a bela Nastassia como filha. O diretor continuou na mesma linha(fronteira da sanidade) e produziu em 1974, " O enima de Kaspar Hause". Vale a pena re-ver.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

DÚVIDA

Candidatíssimos ao Oscar de melhores atores, Meryl Streep e Phillip Seymour são realmente, como aliás tem sido acentuado pela quase que unanimidade da crítica, o rande diferencial de " Dúvida" ( Doubt) de 2008. A interpretação dela, sobretudo, é impressionante, pois encarna a rigidez em um papelo quase que feito sob medida. O Phillip Seymour que é um fantástico ator, tem um certo ar cômico (irônico) que a meu ver atrapalha um pouco o personagem. Gosto muito de filmes sobre acusações e provas,l sobre a moral e etica, e este é um legítimo representante, mas o roteiro e a direção deixam o filme perder um pouco do foco no final. Ainda assim, certamente vale a pena ver, e mesmo sem ver os demais, e a Kate Winslet, acho que a Meryl Strep é forte candidata mesmo.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

PAULINHO DA VIOLA-MEU TEMPO É HOJE

"Paulinho da Viola- Meu tempo é hoje" é um documentário de 2003, dirigido pela Izabel Jaguaribe, que também assina o roteiro com Zuenir e Joana Ventura. Paulinho da Viola é assim como se fosse um "Herói dos nossos tempos"- uma pessoa que dignifica muito a nossa raça, e cuja simplicidade, humildade, e criatividade, sempre nos enchem de alegria. Talvez seja um dos símbolos do Rio de Janeiro, pelo menos de uma de suas melhores faces que é o subúrbio. O filme consegue passar tudo isto, e por isso é um bom documentário, e com enfoque filosófico, ou seja, a disposição do compositor em mostrar seu pertencimento ao hoje, desfila músicas belíssimas. "Argumento", "Sinal Fechado"e"Foi um Rio que passou em minha vida", estão no panteão das imortais. Mesmo que você seja ruim da cabeça e não goste de samba, vai gostar de saber que existem pessoas como Paulinho da Viola.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

LINHA DE PASSE


"Linha de passe" foi o filme brasileiro selecionado para o festival de Cannes em 2008, e a atriz Sandra Corveloni ganhou o prémio de melhor atriz. O filme é dirigido por Walter Salles e pela Daniella Thomas que também assina o roteiro com George Moura. Recentemente postei algo sobre o perigo dos estereótipos em um filme sobre o Rio. Aqui também os temos, aos montes, só que com referência à São Paulo. Periferia, mano! Motoboys, jogadores de futebol (" peneira"), "bíblias" e motoristas de ônibus, além é claro da condição de empregada doméstica, das muitas mães solteiras, inclusive aquela simbolizada pela atriz principal, de vários filhos. Um filme com tantos estereotipos, só poderia se salvar pelo roteiro, mas sinceramente acho que o mesmo falhou...e de repente, a maldição do filme brasileiro, o filme acaba sem pré nem cabeça. O filme tem personagens, atores e cenário ( a cidade de São Paulo) capazes de expressar o cotidiano, mas tem um ritmo e um roteiro fraco, que na maior parte das vezes enche de sono e dá um clima de irrealidade na contramão da direção ( como as cenas do garoto dirogindo o ônibus ou o irmão indo para a "balada" com os playboys". É um filme morninho.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

ALEMANHA ANO ZERO

" Alemanha Ano Zero" (1948) é um dos clássicos da trilogia inaugural do chamado " Neo-realismo" dirigido por Roberto Rosselini. O pano de fundo do filme (característica do estilo) é a cidade de Berlim em 1947, totalmente em ruínas e o difícil cotidiano da população, tanto do ponto de vista material como moral. A não-utilização de atores profissionais (outra marca) tem benefícios e pontos negativos ( especialmente para quem gosta de cinema de atores, como eu). É sempre impressionante ver este pano de fundo e comparar com Berlim hoje, e ver como sessenta anos podem fazer grandes diferenças. Rosselini ao mesmo tempo que mostra algo (o realismo) que quer mostrar, conta uma estória subjetiva, com pitadas psicanalíticas, que depois influenciaram muita gente, entre elas Bertolucci por exemplo, além é claro, de todo o Cinema Novo no Brasil e a "Novelle Vague" na França. Não é um clássico à toa. Vale muito a pena!

sábado, 24 de janeiro de 2009

A PAZ É DOURADA


"A Paz é Dourada" é um documentário de Noilton Nunes, que assisti ontem no Canal Brasil. Não é fácil a construção da memória nacional, e o documentário que levou 20 anos para sua finalização, conta isto de forma criativa, tendo como foco de investigação a figura de Euclides da Cunha. O filme acaba contando a estória da virada do século passado, da influência positivista, da crença na ciência e no progresso das civilizações, e mostra o espírito aventureiro ( no melhor dos sentido), desbravador e o alcance geopolítico de sua formação. Ao mesmo tempo, o filme traça um interessante fio de decepção com a república e principalmente com os ideais republicanos, que atinge o próprio meio cinematográfico. Você não precisa c0ncordar interalmente com a versão pintada pelo autor do filme, mas ele pinta muito bem e de forma ampla. É um bom filme, inclusive formalmente criativo. Achei interessante também não se limitar ao estereótipo apenas da grande obra que é "os Sertões" que aparece no filme devidamente contextualizada. O filme se chamava originalmente "fronteiras" e depois mudou para " A paz é dourada" que obviamente nada tem a ver com o mesmo, e parece ter sido uma homenagem, assim como a participação, ao Grande Otelo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Esse é o segundo post sobre “Ensaio sobre a Cegueira”, mas o primeiro foi propaganda da filmagem. Aliás falando em propaganda, semana que vem, a partir do dia 27 tem uma série de filmes do Truffaut no Centro Cultural da Caixa. (Blindness) de 2008 é uma obra de arte cinematográfica construída em cima de uma obra de arte da literatura. O livro é muito mais “pesado”, confesso que até hoje não consegui passar do meio, e estou postergando o resto para quando tiver mais estômago, mas a medida que os anos passam acho que vou ficando mais mole. O tratamento cinematográfico permite que se veja até o final. Que fantástico o trabalho de fotografia, de direção de arte, de direção, dos atores, especialmente a Juliana Moore (em seu melhor trabalho, para mim) e o Danny Glover. Mas o melhor de tudo é o roteiro de Don Mckellar que é ruim como ator, mas fantástico como roteirista, pois não é fácil pegar uma obra prima e fazer um roteiro. Filme que conforme consta do extra (making of) fez chorar o Saramago e todos nós (acho que foi a primeira vez que me emocionei em um Making Of !) O Filme tem muita coisa para refletir sobre nós mesmos, são tantos os momentos bons. Eu particularmente gosto de um pedaço quase no final com o Danny Glover e a Alice Braga, quando ele deixa bem claro que prefere aquela situação que eles estavam vivendo do que a anterior quando tinham visão. Mas dá prá escolher muitos outros momentos fantásticos. Parabéns para o Fernando Meirelles, e toda a equipe, sem dúvida alguma!





terça-feira, 20 de janeiro de 2009

OS REIS DA RUA

"Os reis da Rua" ( Street Kings) é um filme de ação policial de 2008, estrelado pelo Keanu Reeves e pelo Forrest Whitaker. Confesso que quando li a sinopse não fiquei muito animado- policial durão ( ainda mais vivido pelo Keanu Reeves), parceiro morto, policial corrupto, não achei que tinha alguma novidade, e aqui entre nós, ninguém acredita mais em conto de fadas e luta do bem contra o mal, mesmo na polícia dos EUA. Quase perdi um grande filme ! O excelente roteiro de james Elroy e Kurt Wimmer ( o primeiro é quase um especialista) e a boa direção do David A|yer fazem um bom filme, em que as soluções fogem do maniqueísmo e no final poderíamos dizer que a violência tem sempre alguém e alguns interesses por trás. O final é muito bom. Pena que o Keanu Reeves seja um tipo de ator mais facial do que corporal, mas não chega a destoar muito. e o filme vale a pena em meio a muitas repetições, violência gratuita e clichês que infestam este meio dos filmes policiais de ação.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A SOLUÇÃO FINAL


"A Solução Final" é a tradução de "Eichmann" filme de 2007, que é totalmente baseado no interrogatório do comandante nazista preso na Argentina na década de 60. O filme tem uma dupla mensagem política- em primeiro lugar procura mostrar o esforço de Israel em dar um julgamento que não fosse baseado em simples vingança, e neste sentido, até mesmo colocar o interrogador, um oficial israelense, como tendo seu pai enviado ao campo de concentração pelo carrasco nazista, se fez, e nem assim o oficial abriu mão de seus princípios baseados na justiça. O segundo objetivo é transcrito em uma mensagem escrita ao final do filme, de defesa da democracia, pois segundo o filme apenas em regimes ditatoriais surgem figuras como Eichmann. Nenhuma discordancia, porém, sabemos hoje, e esta informação é atual, que supostas democracias como Israel também censuram a imprensa e manipulam não apenas a "opinião pública" mas o jogo político e com o mesmo antigo argumento de combater inimigos terríveis que atentam contra nossa soberania, suprimem-se liberdades e vidas humanas e não se vê nenhuma preocupação com a justiça ou qualquer direito. É um filme apenas razoável, pois perde-se em muitos momentos a ilusão de realidade, principalmente com o comportamento do Eichmann preso. Vale mais para quem gosta da matéria.

domingo, 18 de janeiro de 2009

UNIDOS PELO SANGUE

"Unidos pelo Sangue" é a tradução de "Threee Needles", um filme canadense de 2005, do diretor Thom Fitzgerald, que dá um panorama multicultural da AIDS em três realidades distintas, ou seja zona rural da China, Canadá e Costa Africana. Não é dos melhores filmes para você ver quando estiver com raiva da humanidade, pois o filme não vai te ajudar em nada. Quer seja no trato do comércio de sangue, na falta de cuidados no sexo profissional ou na adoção de modos de vida tradicionais e retrógrados do ponto de vista da saúde e da ciência, o filme não traz uma mensagem positiva em relação ao ser humano. Parece ao final do filme, que as religiões e os governos falharam na construção de um patamar ético para as relações humanas. O filme não é ruim, você pode ver, mas está avisado. É também a sua chance de ver a norte-americana descendente de chineses, Lucy Liu em um papel diferente.

sábado, 17 de janeiro de 2009

OS DESAFINADOS

"Os Desafinados" é uma produção do Flávio Tambellini, de 2008, dirigido pelo Walter Lima Junior, com bons atores ( Rodrigo Santoro,Angelo Paes Leme, Selton Mello, Alessandra Negrini, Claudia Abreu), direção musical do Wagner Tiso, fotografia do Pedro Farkas, ou seja um bom time, uma boa idéia (um grupo de músicos brasileiros bossa-nova que partem para uma tentativa de carreira em Nova Iorque). O filme consegue mostrar com razoável dose de realismo as dificuldades e o momento vivido, inclusive o caso do pianista brasileiro Tenório Junior que foi sequestrado e assassinado pelas forças da repressão argentina ( o corpo nunca apareceu). O filme é um pouco longo demais, mas é bom, e acho que não fez maior sucesso porque acabou se misturando com a enxurrada de homenagens (algumas bobas) sobre a bossa nov, e para muitos neste assunto, literalmente"chega de saudade"! Vale a pena ver, sem maiores pretensões,

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O QUE VOCE FARIA ?

O que você faria? ( El Método) de 2005 é uma produção espanhola e argentina, dirigida pelo argentino Marcelo Pyneiro e baseada em uma peça de teatro do catalão Jordi Galceron, que aqui no Brasil está sendo encenada como " O método Gronholm" ( ou coisa muito parecida).E um bom filme, embora seja teatro filmado, em que sete pessoas se enfretam em um processo de seleção para um emprego, em, meio a protestos de rua contra o FMI e neste processo transparecem questões subjetivas, preconceitos e até sentimentos, que interferem muito e compõe uma encenação com forte sotaque psicológico. O lance do filme não é se deixar levar pelo suspense de advinhar quem é o escolhido, mas o processo pelo qual é escolhido e seus detalhes. Distrai com inteligência. Tem leve semelhança com o filme " A experiência" porém é mais subjetivo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

ABOLIÇÃO

Minha reconciliação com a TV aberta tem sido feita com a progressiva melhora da TV Brasil e neste sentido, cabe destacar que grandes filmes tem sido exibidos, como este “Abolição” cujo diretor e roteirista é o ator e militante negro Zózimo Bulbul. Trata-se de um documentário de 1988 sobre a pós-abolição, que ajuda a mostrar uma faceta importante do país, que muitos preferem ignorar. A “libertação” veio acompanhada de uma política oficial discriminatória de imigração, que alijou os descendentes de africanos libertos da inserção normal no processo produtivo, sendo causa indiscutível, entre outras, da situação enfrentada nos dias de hoje por esta parcela de brasileiros. É um grande filme !





sábado, 10 de janeiro de 2009

COMÉDIA DO PODER

Meus conhecimentos de francês não são suficientes para identificar se a tradução melhor de "Ivresse du pouvoir" (2006) é mesmo " Comédia do Poder" embora esta tradução seja reprodução do inglês ( The comedy of power). Se for, trata-se quase sem dúvida de um grande equívoco, pois não há nada de comédia no filme. O diretor Claude Chabrol é quase um ícone francês e a atriz principal, Isabelle Hupert é muito boa, mas o filme deixa muito a desejar. Poderia ser excelente pois prometia ser um embate entre questões subjetivas ( vaidade, ambição,etc...) que atingiriam uma juíza investigando escândalos financeiros com a petrolífera estatal francesa, mas o filme não consegue exprimir nada. os personagens são todos estranhos, a juíza,o marido, o sobrinho, os empresários e políticos, ninguém apresenta aspectos subjetivos interessantes, nem deixa a entender quais são as suas motivações ( sociais, políticas ou subjetivas) para suas condutas. É um filme que tem muitos similares no cinema francês que as vezes é muito bom, e as vezes só pretensioso- acaba de repente e você não consegue encontrar o sentido. Um desperdício de estória...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

SCORSESE,DYLAN E STONES



Este é um post duplo, que aliás completa dois outros, escritos em 28/10 e 04/11 sobre a série de filmes sobre Soul produzidos por Martins Scorsese e o outro sobre o filme "Não estou Lá" sobre o Bob Dylan. Este aqui falará sobre dois documentários - um intitulado " No direction Home" sobre o Bob Dylan de 2005 e o outro "Shine a Star" de 2008 sobre o Rolling Stones. De antemão, gostei muito do primeiro sobre o Bob Dylan e nem tanto do segundo sobre os Stones. Parece que uma atitude meio que reverencial ( que aliás transparece no filme) diante dos Stones, transforma o filme na mostra de um show recente com cenas documentais do passado, a maior parte entrevistas, que fazem um resultado pouco conexo. Já o primeiro é um brilhante documentário ! Minha vivência em Rolling Stones não era lá estas coisas, pois confesso que embora sentisse a alma de suas músicas (sem dúvida alguma "Satisfaction" era o hit) também me fazia falta um maior rigor técnico nas músicas e achava algumas meio que primárias. Aos poucos com o passar dos tempos, fui dando cada vez menos valor a esta técnica e maior valor ao sentimento, me identificando cada vez mais com os Stones. O filme é uma decepção neste sentido, pois não dá liga, não contextualiza nada e chega mesmo a parecer uma encomenda publicitária do tipo "Olha como ainda não estamos decadentes". Também não tinha grandes vivências em Bob Dylan. Nossa deficiência básica em Inglês, associado ao caráter dúbio de suas composições, transformava Bob Dylan em alguém que dizia coisas importantes, mas que ninguém entendia muito bem. Era Cult. É claro que tinha "Blowin the Wind" , " Like a Rolling Stone" e "Hurricane" que alguém explicava prá gente e a gente acabava gostando. Tinha uma certa implicância com a gaitinha também vá lá que seja. Depois do excelente documentário, você vai acabar entendendo tudo de Dylan, e principalmente um pouco mais sobre Folk Music, Estados Unidos dos anos 60, e sobre a trajetória de um ídolo e seu relacionamento tortuoso com fãs, amigos, imprensa e com o mercado. Vale muito a pena. Infelizmente perdemos a chance de fazer o mesmo com João Gilberto e a bossa nova. O tratamento cinematográfico que dão ao tema, me parece ridículo e infantil demais, ao contrário de bons livros escritos sobre o tema.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

ASSASSINATO EM PRIMEIRO GRAU

"Assassinato em primeiro grau" (Murder in the first é uma brilhante produção de 1995, do diretor Marc Rocco, e estrelada por quatro excelentes atores, Kevin Bacon (fantástico no filme) Christian Slater, Gary Oldman e Willim Macy. Trata-se de um filme de julgamento, julgamento de um homem que preso em Alcatraz pelo roubo de cinco doláres, tenta fugir e fica em uma solitária por três anos, e quando sai de lá mata o preso que o denunciou. O filme é baseado em fatos reais, e acredite, foi nos estados Unidos, em Alcatraz ( que hoje nem é presídio mais). O filme é brilhante, imperdível para quem gosta de "justiça e direito" ( aliás tem outro bom , acho que "lei e ordem" com a dupla Oldman e Bacon) e vale a pena ser visto sem dúvida alguma.